segunda-feira, 17 de junho de 2019

O Cuidado com as Falsas Doutrinas

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

JOVENS E ADULTOS



3º Trimestre de 2004


Título: Colossenses — A perseverança da Igreja na Palavra nestes dias difíceis e trabalhosos
Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima


Lição 6: O cuidado com as falsas doutrinas
Data: 08 de Agosto de 2004

TEXTO ÁUREO

Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2.8).

VERDADE PRÁTICA

As doutrinas falsas são ensinos enganosos e sutis, com aparência de verdade. Só a Palavra de Deus, corretamente interpretada, pode eliminar o efeito das heresias.

LEITURA DIÁRIA

Segunda — 1Jo 4.3
O espírito do Anticristo e seus ensinos


Terça — 1Ts 4.14
A ressurreição dos salvos garantida


Quarta — Gl 1.8
É falso um “outro evangelho”


Quinta — Jo 1.14
O Verbo se fez carne


Sexta — Mt 5.48
Perfeitos como o Pai


Sábado — Ef 6.12
Contra quem lutamos

HINOS SUGERIDOS

107, 108 e 244 da Harpa Cristã

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Colossenses 2.8-15.

8 — Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo;
9 — porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.
10 — E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo principado e potestade;
11 — no qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne: a circuncisão de Cristo.
12 — Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos.
13 — E, quando vós estáveis mortos nos pecados e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas,
14 — havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.
15 — E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.

PONTO DE CONTATO

As heresias continuam as mesmas. Os falsos mestres ainda tentam provar que Jesus não era divino-humano, que a salvação não é pela graça, etc. A embalagem pode ter mudado, mas o conteúdo permanece inalterado. Temos sido bombardeados por falsos ensinos e modismos. Como resisti-los então? Somente com ensino correto da Palavra de Deus. Professor, você possui a grande responsabilidade de fornecer alimento substancial e saudável para seus alunos. Dedique-se ao seu ministério.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
  • Distinguir o verdadeiro evangelho dos falsos ensinos.
  • Provar a divindade de Cristo.
  • Demonstrar que o crente pode ser perfeito em Cristo.

SÍNTESE TEXTUAL

Nos últimos momentos da Igreja na terra, temos presenciado a disseminação de falsos ensinos e filosofias baseados, resumidamente, em teorias que desacreditam a divindade de Cristo e divinizam o homem. Os falsos mestres ensinam que o conhecimento humano tem resposta para todos os problemas da vida. Normalmente, esses homens circulam entre dois extremos: a depravação e a promiscuidade sexual e moral ou a completa ascese. O evangelho, por sua vez, é sempre cristocêntrico. Jesus é Deus juntamente com o Pai e o Espírito Santo. Ele é o caminho, a verdade e a vida. O nosso Salvador é a resposta para todos os dilemas da humanidade e a solução para todas as suas questões.

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

Reproduza o gráfico abaixo no quadro-de-giz e analise as diferenças entre os assuntos mencionados.



COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Os falsos ensinos sempre são apresentados de maneira sutil, às vezes agradável e, não raro, com ilustrações bem trabalhadas para persuadir o ouvinte. As filosofias também são usadas de forma eloquente, crítica e, muitas vezes, de modo desrespeitoso contra a Palavra de Deus. É preciso extremo cuidado da parte do professor da Escola Dominical, inclusive os de crianças, com os falsos ensinos, quando são em parte travestidos de verdade. Os colossenses receberam solene advertência contra as seitas e as heresias de seu tempo.

I. AS “FILOSOFIAS E VÃS SUTILEZAS” (2.8)

1. A filosofia vã. Os gnósticos ensinavam, dentre outras, as seguintes heresias:
a) Jesus não era humano. Segundo a filosofia gnóstica, o corpo, sendo matéria, era mau, e Cristo, sendo um ser celestial, jamais poderia encarnar-se, assumindo um corpo humano. Essa heresia é a base da doutrina do Anticristo que afirma que Jesus não veio em carne (em corpo humano), conforme diz João: “e todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que está já no mundo” (1Jo 4.3). Ver também 2Jo v.7.
b) Jesus não morreu na cruz. Para os gnósticos, a morte de Jesus foi apenas aparente. Ele não morreu na cruz. O meio para a salvação, segundo eles, era o conhecimento secreto que diziam possuir e que só estaria ao alcance de alguns iniciados nos credos gnósticos. Hoje, a Nova Era, a logosofia, a gnosiologia, e a teosofia, todas baseadas na gnosis (conhecimento), alardeiam a mesma coisa. Assim se expressa o erudito Prof. Doolan: “Os filósofos modernos procuram cada vez mais ensinar-nos cada vez menos, até que acabamos conhecendo tudo acerca de nada”. Ele se refere a assuntos da fé cristã. Negar a encarnação de Cristo e sua morte, é negar a própria base da fé salvífica emanada dos evangelhos. A Bíblia é incisiva e clara quanto à morte redentora de Jesus (Rm 5.8).
c) Jesus não ressuscitou. Para os gnósticos, como Cristo não se encarnou como homem, nem morreu, também não ressuscitou de fato. O que houve, segundo seus falsos ensinos, foi apenas uma “ressurreição espiritual”. A Bíblia assim se expressa acerca da fé na ressurreição: “Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também, aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com Ele” (1Ts 4.14); “Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm 8.34).
2. As “vãs sutilezas” (2.8).
a) A libertinagem exaltada. Certos mestres gnósticos ensinavam que “a libertinagem era a lei de Deus”. Incentivavam a depravação e a promiscuidade sexual e moral. Era a corrente libertina dos gnósticos.
b) O ascetismo exaltado. O ascetismo dos gnósticos, como filosofia religiosa, ensinava que por ser o corpo essencialmente mau, deveria ser tratado com severidade, regras rígidas, flagelamento, privações, isolamento, jejuns forçados, desprezo pelo casamento e pelo mundo material. Os monges, na Idade Média, também seguiram esse ensino (modificado), afastando-se do “mundo” para ter uma vida mais santa. Mas o evangelho de Cristo não prega a ascese. Pelo contrário, Jesus afirmou que os cristãos são o “sal da terra” e a “luz do mundo”. Para ser sal, e fazer efeito, o cristão precisa estar no mundo, no meio das pessoas, para lhes transmitir “sabor”, e também a influência poderosa do evangelho de Cristo. Para ser luz, o discípulo de Cristo não pode estar debaixo de um alqueire, mas “no velador”, ou seja, numa posição que lhe permita transmitir a luz do evangelho aos pecadores (Mt 5.13-16).

II. A TRADIÇÃO DOS HOMENS E OS FALSOS “RUDIMENTOS DO MUNDO” (2.8)

1. “A tradição dos homens”. Paulo advertiu os colossenses que não se fizessem presa de tais ensinos. O ensino do humanismo coloca o homem no centro de tudo no mundo; exclui a Palavra de Deus e ao próprio Deus de seus arrazoados. Em outras palavras, o humanismo endeusa o homem. Ele faz parte do preparo do mundo para o surgimento do Anticristo. Segundo a Bíblia de Estudo Pentecostal (BEP), “hoje, uma das maiores ameaças teológicas contra o cristianismo bíblico é o ‘humanismo secular’, que se tornou a filosofia de base e a religião aceita em quase toda educação secular, e é o ponto de vista aprovado na maior parte dos meios de comunicação e diversão no mundo inteiro” (Nota sobre Cl 2.8).
2. “Os Rudimentos do mundo” (2.8). A expressão “rudimentos do mundo” é repetida no v.20 e refere-se a ordenanças religiosas antibíblicas ensinadas naqueles dias (vv.20-23). Nas falsas crenças da Astrologia da época, a expressão “rudimentos do mundo” era também empregada em referência aos astros como sendo habitações de espíritos governantes do universo. Paulo advertiu os colossenses quanto a esses falsos ensinos que fomentavam a adoração a outros elementos da natureza.
3. A plenitude da divindade (2.9). Paulo ministrava aos colossenses que em Cristo “habita corporalmente toda a plenitude da divindade”. Tendo em vista a preeminência de Cristo sobre todos os seres, visíveis e invisíveis, anjos ou demônios, homens ou animais, ninguém precisa recorrer a qualquer outro ser, em busca da divindade. Em Cristo, a divindade é plena, infinita é absoluta. Só Ele — Cristo — é Deus, na unidade com o Pai, e o Espírito Santo (Mt 1.23; Jo 1.14).
4. A perfeição do crente (2.10). Assevera o apóstolo: “E estais perfeitos Nele, que é a cabeça de todo principado e potestade”. Deduz-se assim que a plenitude ou perfeição do crente não decorre de sua própria condição humana, terrena e mortal. Mas de sua comunhão com Cristo. A condição para esta perfeição é estar Nele. Desligado de Cristo, o cristão não passa de mera criatura, semelhante a qualquer outro ser humano. Em Cristo, no entanto, na íntima comunhão com o Salvador, o pecador remido passa da posição de criatura para a de filho de Deus (Jo 1.12; Jo 17.23). Jesus exortou seus seguidores a serem perfeitos (Mt 5.48). Sim, perfeitos nEle (v.10). As primícias dessa perfeição vêm pelo novo nascimento; pela nova vida em Cristo.

III. A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO E O VERDADEIRO BATISMO (2.11-15)

1. A circuncisão de Cristo. A circuncisão na carne era um rito que tinha alto significado entre os judeus (Gn 17.10-12). A circuncisão física era um sinal do Antigo Testamento, concernente a uma aliança firmada entre Deus e o homem (Rm 4.11,12). Nos Atos dos Apóstolos, vemos que os convertidos ao cristianismo eram pressionados pelo legalismo judaico (At 15.10). Pedro teve de enfrentar a oposição dos da circuncisão (At 11.2). Paulo exortou-os dizendo: “no qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojo do corpo da carne: a circuncisão de Cristo” (2.11 — grifo acrescentado). A “circuncisão de Cristo” era (e é) espiritual (Rm 2.28,29). A “circuncisão de Cristo” (v.11) não é um sinal corpóreo no crente, mas, uma mudança de coração (Rm 2.28,29; Gl 6.15).
2. O batismo (2.12). A Bíblia fala aqui do batismo espiritual, através do qual somos imersos no Corpo de Cristo que é a Igreja (Rm 6.3-5). É um batismo mediante “a fé no poder de Deus” (v.12), e não mediante a água. No pecado, o homem é considerado morto para Deus. Na conversão, ele é regenerado (2Co 5.17), passa pela “circuncisão de Cristo” e, ao mesmo tempo, é batizado em Cristo. Esse batismo espiritual é confirmado mediante a profissão de fé, quando da realização do batismo em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19). Esse batismo espiritual é uma representação do novo nascimento espiritual (Jo 3.3,5), em que Deus justifica pela fé o pecador arrependido anulando toda a sentença de condenação (2.14) e dando-lhe vitória sobre as forças do mal (2.15).

CONCLUSÃO

Paulo advertiu os colossenses quanto aos falsos ensinos em forma de “filosofias e vãs sutilezas”. E demonstrou que não há qualquer razão para o cristão desviar-se da verdade que há em Cristo, pois Ele encerra em si mesmo “toda a plenitude da divindade”, não havendo, portanto, necessidade de se buscar outro salvador. Essa plenitude de Cristo dá ao crente a plenitude espiritual e a vitória sobre todos os poderes do mal.

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

Subsídio Teológico

Evitando os falsos teólogos
“Os teólogos comprometidos com o neomodernismo são pessoas que se deixaram enredar pela astúcia do diabo, o pai da mentira. Por lhes faltar genuína conversão, falta-lhes também a visão de Deus quanto ao real estado do homem sem Cristo. Um boletim publicado pelo Concílio Mundial de Igrejas, em uma grande cidade, para orientação de pregadores de rádio, ilustra este ponto:
‘Os temas devem difundir amor, alegria, coragem, esperança, fé, confiança, boa vontade. Em geral, evite críticas e controvérsias. Na realidade, estamos ‘vendendo religião’. Portanto, preparar os cristãos para levarem a sua cruz, sacrificarem-se e servirem, ou convidar pecadores ao arrependimento está fora de moda. Porventura, não podemos, como apóstolos, convidar o povo a gozar dos nossos privilégios, fazer bons amigos e ver o que Deus pode fazer por ele?’.
Alguém comparou os teólogos liberais ou neomodernistas a um comerciante que tem de reserva sob seu balcão toda espécie de artigos. Quando um liberal à moda antiga lhe vem pedir liberalismo, o neomodernista estende a mão sob o balcão e diz: ‘Mas é exatamente o artigo que vendemos aqui!’. E, se um cristão bíblico entra na loja, o neomodernista, com o mesmo gesto responde: ‘Mas é exatamente o artigo que vendemos aqui!’.
Eis uma real descrição do neomodernismo, capaz de adequar a sua linguagem e o seu comportamento de maneira a agradar a quem quer que seja.
Ao crente fiel, porém, recomenda o Espírito Santo, através de Paulo, que se afaste dos falsos teólogos e seus ensinos, milite a boa milícia da fé, tome posse da vida eterna, e, obedeça ao mandamento do Senhor. Mandamento esse sem mácula e irrepreensível (1Tm 6.5,12,14)” (Seitas e Heresias. CPAD, pp.139,140).

GLOSSÁRIO

Eloquente: Expressivo, significativo, persuasivo, convincente.
Erudito: Aquele que tem instrução vasta e variada, adquirida sobretudo pela leitura.

QUESTIONÁRIO

1. Que tipo de filosofia era combatida por Paulo?
R. Os falsos ensinos do gnosticismo.

2. Que significava a “tradição dos homens”?
R. O humanismo que coloca o homem no centro de tudo no mundo; endeusa o homem.

3. Qual o verdadeiro batismo a que Paulo se refere?
R. Ao batismo espiritual mediante a fé.

4. A que circuncisão Paulo se referia?
R. À “circuncisão de Cristo” que é espiritual.

5. Como Cristo demonstrou sua vitória sobre o mal?
R. “Despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo”.

AGENDA DE LEITURA

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Pv 6.16,17
A altivez aborrece ao Senhor


TERÇA — Tg 4.6
Deus dá graça aos humildes


QUARTA — Ez 28.15-17
A soberba e a queda de Lúcifer


QUINTA — At 12.23
A soberba de Herodes


SEXTA — At 7.9
A inveja dos irmãos de José


SÁBADO — Dn 4.25
A soberba de Nabucodonosor e o seu castigo

O Hábito da Leitura da Bíblia


O Hábito da Leitura da Bíblia


Todos devemos amar a Bíblia. Todos devemos lê-la. Todos. É a Palavra de Deus. Ela tem a solução da vida. Ela nos fala do melhor Amigo que a humanidade já teve, o mais nobre, o mais terno, o mais verdadeiro Homem que já pisou na terra.

É a mais linda história que já se contou. É a melhor diretriz da conduta humana que já se conheceu. Dá um sentido, um fulgor, uma alegria, uma vitória, um destino e uma glória à vida, que em nenhuma outra parte são revelados.

Nada há na História, ou na literatura, que de alguma forma se compare com as singelas narrativas do Homem da Galileia, que levou dias e noites a ministrar aos que sofriam, a ensinar aos homens como ser benévolos, a morrer pelo pecado, a ressuscitar para a vida que jamais acaba, e a prometer segurança eterna e eterna felicidade a todos quantos se chegam a Ele.

A maioria do povo há de pensar, seriamente, como há de ser quando o fim chegar. Não adianta sorrir, desdenhosamente, passar adiante deste assunto, ESSE DIA HÁ DE VIR. E QUE ACONTECERÁ ENTÃO? A Bíblia dá a resposta. É resposta inequívoca. Há um Deus. Há um céu. Há um inferno. Há um Salvador. Haverá um dia de juízo. Feliz do homem que, enquanto vivo, fizer suas pazes com o Cristo da Bíblia e se preparar para esse epílogo.

Como pode uma pessoa sensata deixar de entusiasmar-se com Cristo, e com a Bíblia, que de Cristo lhe fala? Todos devemos amar a Bíblia. Todos. TODOS.

Todavia, a negligência generalizada da Bíblia, por parte de igrejas e de pessoas que frequentam igrejas, é, simplesmente, de estarrecer. Conversamos sobre a Bíblia, defendemos a Bíblia, louvamos a Bíblia, exaltamos a Bíblia. Sim, pois não! Mas, muitos membros de igreja raramente lançam um olhar à Bíblia — de fato, ficariam envergonhados de ser vistos a lê-la. E os líderes da Igreja, em geral, não parecem fazer um esforço sério para levar o povo a ler a Bíblia.

O protestantismo de hoje em dia parece cuidar muito pouco do Livro em que, altissonantemente, professa crer. E o Catolicismo Romano prefere, declaradamente, seus próprios decretos à Bíblia.

Procuramos saber tudo no mundo. Por que não, também, acerca de nossa religião? Lemos jornais, revistas, novelas e toda sorte de livros, e ouvimos o rádio nas horas certas. No entanto, a maioria de nós nem sequer sabe os nomes dos livros da Bíblia. Que vergonha! Que vergonha!

O contato individual direto com a Palavra de Deus é o principal meio de crescimento cristão. Todos os líderes de poder espiritual, da história do cristianismo, têm sido leitores devotados da Bíblia.

A Bíblia é o livro de que vivemos. A leitura da Bíblia é o meio de aprendermos e de conservarmos nítidas, em nossas mentes, as IDEIAS que modelam nossa vida. Nossa vida é produto de nossos pensamentos. Para vivermos certo, precisamos pensar certo.

Os pensamentos exercem poder em nossa vida pela FREQUÊNCIA com que ocuparem nossas mentes. Lemos a Bíblia frequente e regularmente, de sorte que os pensamentos de Deus podem ocupar frequente e regularmente nossas mentes; podem vir a tornar-se pensamentos nossos; podem nossas ideias vir a conformar-se com as ideias de Deus; podemos ser transformados na imagem de Deus, e tornados capazes de fazer eterna companhia com o nosso Criador.

Podemos, com efeito, absorver a verdade cristã, em certo grau, assistindo aos cultos, ouvindo sermões, lições bíblicas, testemunhos, e lendo literatura cristã.

Todavia, por mais que essas coisas sejam boas e úteis, fornecem-nos a verdade divina em SEGUNDA MÃO, aguada, porque através de canais humanos, e, até certo ponto, glosada com ideias e tradições humanas.

Estas coisas não podem tomar o lugar da leitura individual da PRÓPRIA BÍBLIA, da fundamentação, por nós mesmos, de nossa fé, esperança e vida, diretamente na Palavra de Deus, antes que naquilo que os homens dizem acerca dessa Palavra.

A Palavra de Deus é a arma do Espírito de Deus para a redenção e perfeição da alma humana. Não é bastante ouvir outros falar, ensinar e pregar a respeito da Bíblia. Precisamos conservar-nos, cada um de nós, em contato direto com a Palavra de Deus. É ela o poder de Deus em nossos corações.

A leitura da Bíblia é hábito cristão fundamental. Não queremos dizer que devemos cultuar a Bíblia como se fosse um fetiche, mas adoramos o Deus e o Salvador de quem a Bíblia nos fala. E, porque amamos nosso Deus e Salvador, amamos, terna e devotadamente, o Livro que dEle procedeu e dEle se ocupa.

Nem queremos dizer que o hábito de ler a Bíblia é em si uma virtude, porque é possível lê-la sem aplicar seus ensinos à vida, havendo, mesmo, os que a leem e ainda são mesquinhos, desonestos e nada cristãos. São, contudo, exceções.

Em regra, a leitura bíblica, quando feita com as devidas disposições de espírito, é hábito que dá lugar a todas as virtudes cristãs, sendo a mais eficiente força formadora do caráter que se conhece.

Como ato de devoção religiosa. Nossa atitude para com a Bíblia é um índice muito seguro de nossa atitude para com Cristo. Se amarmos uma pessoa, gostamos de ler a seu respeito, não é fato?

Se apenas chegássemos a considerar nossa leitura bíblica como ato de devoção a Cristo, seríamos inclinados a considerar o caso menos irrefletidamente.

É glorioso ser cristão. O mais elevado privilégio que qualquer mortal pode ter é andar pela vida afora de mãos dadas com Cristo, como Salvador e Guia; ou, mais corretamente, é andar vacilante, como criancinha, ao Seu lado e, embora sempre a tropeçar, nunca largando a Sua mão.

Esta relação pessoal de cada um de nós com Cristo é uma das coisas essenciais da vida, e não falamos muito sobre isto, provavelmente, porque descobrimos que somos, lamentavelmente, indignos de usar o Seu nome. Mas, no profundo de nossos corações, refletindo seriamente, sabemos que, a despeito de nossa fraqueza, mundanismo, frivolidade, egoísmo e pecado, amamo-Lo mais do que a qualquer outra coisa no mundo; e, nos nossos momentos de maior lucidez, sentimos que, voluntariamente, não O ofenderíamos por coisa alguma. Somos, porém, irrefletidos.

Ora, a Bíblia é o livro que nos fala de Cristo. É possível, então, amar a Cristo e ao mesmo tempo ter prazer em ser indiferente à Sua Palavra? É POSSÍVEL?

A Bíblia é o melhor livro devocional. Opúsculos para devoções diárias, que, modernamente, as casas publicadoras evangélicas anunciam tanto, podem ter seu lugar. Contudo, não substituem a Bíblia. A Bíblia é a própria Palavra de Deus. E nenhum outro livro pode tomar o seu lugar. Todo crente, moço ou velho, deve ser um fiel leitor da Bíblia.

George Muller, que, em seu Orfanato em Bristol, Inglaterra, fez, pela oração e fé, um dos mais notáveis trabalhos da história cristã, atribuía seu êxito, pelo lado humano, ao seu amor à Bíblia. Disse ele: “Creio que a principal razão de me haver conservado em atividade útil e feliz está no amor que tenho à Sagrada Escritura. Tenho como hábito ler a Bíblia toda quatro vezes por ano; em espírito de oração, aplicá-la a meu coração e praticar o seu ensino. Durante sessenta e nove anos, tenho sido um homem feliz, feliz, feliz”.

Subsídios para o estudo da Bíblia. A Bíblia é um livro grande, de fato, é uma coleção de livros, de um passado distante. Precisamos de todos os auxílios disponíveis para compreendê-la. Um bom dicionário bíblico é o melhor dos subsídios. Um bom comentário é de muito valor. E todo o mundo deve possuir uma concordância (Chave Bíblica).

Mas mesmo assim, surpreende como, em grande parte, a Bíblia se interpreta a si mesma, quando conhecemos o seu conteúdo. Há muitas dificuldades na Bíblia, mesmo além da compreensão dos mais eruditos. Mas, apesar disso, os seus principais ensinos são inequívocos e tão claros que “viandantes, ainda que insensatos, não têm que se enganar com eles”.

Aceitai a Bíblia como, exatamente, ela é, pelo que ela se afirma ser. Não vos inquieteis com as teorias dos críticos. A tentativa engenhosa e impudente da crítica moderna, por solapar a veracidade histórica da Bíblia, passará; ela, a Bíblia, permanecerá como luz que é da raça humana, até aos fins do tempo. Firmai vossa fé na Bíblia. É a Palavra de Deus. Ela nunca deixará que sossobreis. Para nós, homens, ela é a rocha dos séculos. Confiai nos seus ensinos e sereis felizes para sempre.

Lede a Bíblia com a mente aberta. Não tenteis forçar todas as suas passagens, amoldando-as a umas poucas doutrinas prediletas. Nem vejais em suas passagens, ideias que lá não se encontram, nem mesmo para servirem a um sermão. Mas tentai descobrir, cândida e honestamente, os principais ensinos e lições de cada passagem. Assim, chegaremos a crer no que devemos crer, porque a Bíblia é mui capaz de cuidar de si mesma, se lhe dermos oportunidade.

Lede a Bíblia com reflexão. Lendo a Bíblia, precisamos vigiar-nos, rigorosamente, para que nossos pensamentos não divaguem, tornando-se a leitura perfunctória e sem sentido. Temos de resolver, resolutamente, fixar a mente no que lemos, esforçando-nos, ao máximo, por entender e ficando à espreita de lições que nos sirvam.

Armai-vos de um lápis. É bom, à medida que lermos, ir marcando passagens de que gostarmos; e, de vez em quando, passando em revista as páginas lidas, ler de novo as passagens marcadas. Com o tempo, uma Bíblia, assim bem marcada, tornar-se-nos-á muito preciosa, à proporção que se aproxima o dia de nos encontrarmos com o seu Autor.

Uma leitura habitual, sistemática da Bíblia é a que serve. Leitura ocasional ou espasmódica não significa muito. A menos que sigamos determinado método e o observemos com resolução firme, o resultado será não lermos muito da Bíblia. Nossa vida interior, como nosso físico, precisa de alimento diário.

Um tempo certo cada dia, qualquer que seja o plano de leitura a adotar, deve ser reservado para isso. De outro modo, seremos capazes de negligenciá-lo.

É bom que seja a primeira coisa, de manhã, se nossa rotina de trabalho o permite. Ou à noite, findo o trabalho do dia, é possível que nos sintamos mais à vontade.

Ou, talvez, de manhã e de noite. A alguns, pode servir melhor um período de tempo ao meio-dia.

Não importa muito qual seja o tempo escolhido. O importante é que escolhamos o que melhor nos convenha e que não interfira nos nossos trabalhos diários; que o observemos, rigorosamente, não desanimando, se, uma ou outra vez, essa rotina for interrompida por alguma coisa alheia à nossa vontade.

Aos domingos, podemos dedicar-nos mais à nossa leitura bíblica, visto ser o dia do Senhor, reservado à Sua Palavra.

Decorai os nomes dos livros da Bíblia. Seja isto a primeira coisa. A Bíblia compõe-se de sessenta e seis livros. Cada um deles versa sobre um assunto. O ponto de partida para se entender a Bíblia é, antes de tudo, saber que livros são esses, a ordem de sua colocação e, de um modo geral, de que trata cada um.

Decorai versículos favoritos. Decorai-os, por inteiro, repetindo, muitas vezes, esses versículos, que são a vossa vida: algumas vezes, estando sozinho; ou, à noite, para que vos ajudem a adormecer nos Braços Eternos.
O hábito de fazer os pensamentos de Deus atravessar, muitas vezes, a nossa mente fará que esta se conforme com a mente divina; e, à medida que se dá essa conformação, toda nossa vida será transformada na imagem de Deus. É isto um dos melhores auxílios espirituais de que podemos dispor.

Planos de leitura bíblica. Sugerem-se muitos planos. Um convém mais a uma pessoa; outro convém mais a outra. Uma pessoa poderá gostar de mudar o plano, com o correr do tempo. O plano em si não importa muito. O essencial é ler a Bíblia com certa regularidade.

Nosso plano de leitura deve abranger a Bíblia toda, com razoável frequência, porque toda ela é a Palavra de Deus, é uma história só, uma estrutura literária de profunda e admirável unidade, centralizada em Cristo. CRISTO é o âmago e o ponto culminante da Bíblia. Tudo quanto vem escrito antes dEle, de um ou outro modo, é uma antecipação de Sua Pessoa. Tudo quanto se Lhe segue, vem interpretá-Lo. A Bíblia toda pode, com muita propriedade, ser chamada a história de Cristo. O Antigo Testamento prepara o caminho para Sua chegada. Os Quatro Evangelhos contém a história de Sua vida terrena. As Epístolas expõem a Sua doutrina. O Apocalipse revela o Seu triunfo.

Entretanto, algumas partes da Bíblia são mais importantes do que outras e devem ser lidas com maior frequência. O Novo Testamento, naturalmente, é mais importante do que o Antigo. Em cada um dos Testamentos, alguns livros, e, em cada livro, alguns capítulos, têm valor especial. Os Quatro Evangelhos são os mais importantes de todos.

Um plano bem equilibrado de leitura bíblica, segundo pensamos, pode ser algo do seguinte modo: cada vez que lermos a Bíblia toda, leiamos o Novo Testamento, uma ou duas vezes mais, com frequente leitura repetida de capítulos favoritos em ambos os Testamentos.

Quantas vezes? Uma vez por ano, pensamos, todo o Antigo Testamento, e duas vezes o Novo, seria um bom plano MÍNIMO a ser observado pela média do pessoal. E seria um meio de simplificar as coisas, fazê-lo coincidir com o ano civil, começando-se em janeiro e terminando em dezembro.

Tal plano significaria uma média de 4 ou 5 capítulos por dia, e requereria, mais ou menos, uma média de 15 ou 20 minutos diários. Não há tempo para isso? Bem, a questão do tempo é deveras importante. Um ou três minutos por dia, para devoção religiosa, é brincadeira de crianças. Se somos crentes, por que não tomamos a sério nossa religião? Por que brincar com ela? Não nos enganemos. PODEMOS achar tempo para aquilo que DESEJAMOS fazer.

Como proceder? Primeiro, escolhamos o plano e tracemos um quadro para o ano, atribuindo certo número de capítulos a cada dia, ou determinado livro, ou parte de um livro, ou grupo de livros, para cada semana, ou para cada mês, como preferirmos.

Mais especificamente, o Antigo Testamento tem 39 livros, 929 capítulos. O Novo Testamento tem 27 livros, 260 capítulos. Total, 66 livros, 1189 capítulos. Tanto os livros como os capítulos variam muito de extensão. Alguns são muito curtos, outros muito longos. Numa Bíblia de tamanho médio e de tipo médio, um capítulo médio cobre mais ou menos a extensão de uma página.

Alguns capítulos e alguns livros, devido à natureza do seu assunto, podem ser lidos mais rapidamente do que outros. E alguns capítulos merecem ser lidos, repetidamente, muitas e muitas vezes.

Leitura consecutiva. É a leitura seguida dos livros na ordem cm que se acham, isto é, do Gênesis ao Apocalipse. Depois de feita a leitura, repeti-la. Com este plano, a menos que se leia a Bíblia inteira, muitas vezes, passa-se muito tempo sem ler em o Novo Testamento.

Leitura alternada dos dois Testamentos. Isto é, ler nos dois Testamentos, simultaneamente; ler alguma coisa, cada dia, ou cada semana, num e noutro Testamento; ou uma semana no Antigo, e na semana seguinte em o Novo, ou um livro no Antigo e depois outro em o Novo.

Um capítulo por dia. Muitos fazem assim. E é um hábito maravilhoso. Mas muito melhor será se pudermos ler dois, ou três, ou quatro capítulos por dia.

Ler a Bíblia pelos livros: isto é, um livro inteiro, ou grande parte dele, de uma vez ou tão continuadamente quanto possível. Em regra, tratando de leitura bíblica, é melhor fazê-la por livros inteiros do que por seleções de trechos de capítulos.

Ler um livro, repetidamente: isto é, fazer um estudo especial de algum livro isolado, lendo-o, muitas vezes, dia após dia. Isto é sobremaneira útil. Mas não se deve passar tempo demasiado longo nesse sistema, para que não se negligencie o resto da Bíblia.

Leitura em grupo. Que maravilha seria se uma classe bíblica, sob a direção do seu professor, ou uma congregação, sob a liderança do seu pastor, lesse a Bíblia EM CONJUNTO, o professor, ou o pastor, aos domingos, ensinando ou pregando sobre as Escrituras lidas na semana anterior. Por que não? POR QUE NÃO? Um pastor e seu rebanho não poderiam melhor andar com Deus pela vida afora do que assim em comunhão ao redor da Palavra Divina.

Fonte: Manual Bíblico de Halley